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(de 2006)

MULHER CORRENDO NA CHUVA, CORRE DE ALGUEM, CORRE DE SI MESMA, MAS NÃO CONSEGUE ESCAPAR. OLHA PARA TRAS E PROCURA ALGUEM QUE A SEGUE. NINGUEM VEM ATRAS. NINGUEM ADIANTE, O DESESPERO AUMENTA.

A CHUVA É FORTE, MAL SE ENXERGA, COMO EM UMA ESTRADA ONDE O PARA-BRISA MAIS FORTE NAO DA CONTA.

ELA CORRE SEM RUMO, DESESPERADA E NO ESCURO.

AO PERCEBER QUE CORRER NAO ADIANTA, NAO ALIVIA, ELA SE ENTREGA A DOR.

SE JOGA NO CHÃO COMO UMA CRIANÇA NO COLO DA MÃE.

O CHÃO ACOLHE SUA DOR E ELA SE ENTREGA E CHORA.

CHORA ALTO

E COMO UM PASSARO, ELA SE IMAGINA DE FORA DO SEU CORPO VOANDO PARA O ALTO.

O PASSARO DA CONSCIÊNCIA, QUE A VÊ COM PENA.

ELA TEM PENA DE SI MESMA.

TANTA PENA QUE OS MUSCULOS DO SEU CORPO FALHAM E ELA SE COLOCA EM POSIÇÃO FETAL

NESTA POSIÇÃO ELA SE VE OBRIGADA A POUSAR O PASSARO E SENTIR SEU CORPO.

SENTIR O AR QUE NAO ENTRA, A BABA QUE ESCAPA DE SUA BOCA.

AS LAGRIMAS QUE PERDEM PARA A CHUVA FORTE, SEUS BRAÇOS QUE ABRAÇAM SUAS PERNAS E SUA CABEÇA TENTANDO ENTRAR EM SUA PROPRIA VAGINA, COMO SE NÃO HOUVESSE NENHUM OUTRO UTERO DO LADO DE FORA PARA O QUAL ELA PUDESSE VOLTAR, E O SEU LHE É FISICAMENTE IMPOSSIVEL.

AONDE COLOCAR TANTA DOR ?

ELA PERDE, PARA DE CHIORAR, PARA DE SENTIR PENA DE SI MESMA.

PARA DE QUERER MORRER.

SE ACALMA.

POR UM INSTANTE DEITA DE BARRIGA PRA CIMA DEIXANDO AS LAGRIMAS DA CHUVA REFRESCAREM O CALOR.

ESTA FRIO.

COBERTOR, XICARA DE CAFE.

ELA SE LEVANTA, TOMA FORÇA NOS MUSCULOS MAIS UMA VEZ, RECOLHE SUAS AZAS QUEBRADAS,

E CABISBAIXA VOLTA PARA ONDE NUNCA ESTEVE. NO ESCURO, VOLTANDO PARA ENCARAR A INEVITABILIDADE.

A MORTE DE SEU FILHO.

FILHO QUE ERA ONDE ELA HAVIA SE REALIZADO.

COMO MULHER SEM PENIS E SEM UTERO, AGORA SEM ASAS.

PENSA NA FILHA QUE A ESPERA EM CASA, NO MARIDO QUE ELA NAO AMA, E EM UMA EXISTENCIA NAO ENCONTRADA.

CAFE LHE VEM A CABEÇA

CIGARROS E UM CONHAQUE. ALGO FORTE. ALGO PARA APAGAR O FOGO DO ESTOMAGO.

PENSA EM SEU PAI. UM PAI QUE NAO SOUBE LHE AMAR, ASSIM COMO ELA NAO SABE AMAR ESTA FILHA.

MENINA QUE SE TORNARA MULHER.

ELA ODEIA AS MULHERES. SAO INCOMPLETAS. INCOMPLETAS COMO FREUD E SUAS OBRAS COMPLETAS.

AO ENTRAR EM CASA, ELA É RECEBIDA NO MAIS PROFUNDO SILENCIO.

SUA FILHA SENTADA NO BALCÃO DA COZINHA, ACOLHIDA POR SEU PAI.

OS DOIS OLHAM PARA A PORTA.

ELA ENTRA ENSOPADA E DESPREZA A VISTA.

AQUELE MALDITO CACHORRO NEM LHE ABANA O RABO.

OLHAR DE MEDO.

E O QUE ELA PERCEBE AO ENTRAR NA CASA

TODOS A TEMEM

SEU FILHO NAO A TEMIA.

SABIA LIDAR COM SUA PAIXAO PELA VIDA

COMPARTILHAVA DA MESMA E AGORA, MAIS UMA VEZ, ELA ESTAVA SÓ.

CORPO CANSADO, DOLORIDO. MELHOR IR PRO QUARTO.

ELA TENTA NAO OLHAR PARA AS PAREDES DE MEMORIA, MAS ELA NAO PRECISSA

AS MEMORIAS ESTAO ESTAMPADAS EM SEUS MUSCULOS FRACOS.

AS LAGRIMAS VOLTAM.

A DOR PARECE UM REFRAO DE UMA MUSICA RUIM QUE INSISTE EM VOLTAR A SUA CABEÇA SEM PERMISSÃO.

ESTUPRO.

ELA PENSA QUE SE ELA TIVESSE SIDO ESTUPRADA PELO SEU PAI, ELA TALVEZ PUDESSE JUSTIFICAR ESTA DOR.

MAS NÃO FOI.

SABE QUE NÃO É MAIS HUMANA DO QUE QUALQUER OUTRO HUMANO, PÊNIS OU NAO.

MAIS SOLIDÃO.

OLHA PARA FORA DA JANELA E PROCURA UM PASSARO.

MAS ESTA ESCURO E CHOVENDO.

NENHUMA VIDA LA FORA.

E A VIDA DE DENTRO ELA IGNORA.

BOLAS LHE SAO OFERECIDAS EVENTUALMENTE.

HAAAA, COMO SERIA BOM, BOLAS, ….

LEMBRA DE SUA MÃE QUE JA ESTA MORTA, E LEMBRA DA RAIVA QUE NÃO PODE MAIS SENTIR.

SUA MÃE ERA IMPOTENTE COMO ELA.

E COMO SUA FILHA.

SEM ASAS.

CONDIÇÃO HUMANA. QUE LIXO !

PREFERIA CONDIÇÃO DE LIXO.

HUMOR LHE ESTUPRA AGORA.

LEMBRA DE UMA FICHA MEDICA QUE TEVE QUE PREENCHER NO PSIQUIATRA QUANDO MOROU EM N.Y. E FORA INVADIDA POR UMA DEPRESSÃO,

O QUESTIONARIO ERA PARA SABER QUE TIPO DE BOLAS ELA PODERIA TOMAR.

PERGUNTAVA :

HAVE YOU EVER HAD ANY EATING DISORDER ?

YES, ONCE I ORDERED A PIZZA AND THEN I DISORDER IT.

QUANDO ERA PEQUENA, FEZ UMA PROVA DE APTIDÃO NO COLÉGIO.

NO FINAL DA PROVA MATEMATICA, LHE PERGUNTARAM QUE METODO FORA USADO PARA RESPONDER A ESTAS PERGUNTAS.

METODO DO CHUTE.

NÃO ERA APTA.

HUMOR ERA SEU PAU. E SEU PAU VIVIA METENDO-LHE EM PROBLEMAS.

SERA QUE SER HOMEM É SE METER EM PROBLEMAS TODA HORA ?

NAO ESTAMOS ISENTOS COMO SERES HUMANOS.

TOMADA DE UMA COMPAIXÃO INCRIVEL, ELA SE LEVANTA, TROCA SEU BLUSÃO POR UM DE LÃ E DESCE ATE A COZINHA.

SUA FILHA ESTA DEITADA NO COLO DE SEU MARIDO.

UM PAI AMOROSO. NAO COMO O QUE ELA TEVE.

MINHA FILHA TEM O OLHAR COM O MESMO SENTIMENTO QUE O MEU.

DESAMPARADA.

MARIAH…

A MENINA VIRA OS OLHOS SEM SE MOVER DO COLO CONFORTAVEL DO PAI.

CHEGA DE SOFRER. VAMOS FAZER BISCOITOS.

A MENINA, COMO UM ROBÔ PROGRAMADO GENÉTICAMENTE PARA ANDAR ATÉ A COZINHA, SE LEVANTA E VAI AJUDAR A MAE A ASSAR BISCOITOS.

AS DUAS ENCONTRAM PAZ EM ASSAR BISCOITOS. MESMO QUE HAJA UM SILÊNCIO.

O PAI ESTA DE FORA AGORA.

AGORA SO O ROLO DE MASSA TEM ROLA.

A MENINA É HABILIDOSA. SABE MEXER NO ROLO.

ORGULHO.

AFINAL, QUÃO PIOR PODEM FICAR AS COISAS SE SABEMOS ASSAR BISCOITOS.

VAI FICAR TUDO DIA UM BEM.

BISCOITOS, CONHAQUE, AMOR, ODIO, MORTE, PASSAROS, FREUD, IDIOTICE.

ELA SABE QUE OS BISCOITOS SAIRÃO BONS E ASSADOS, E A CHUVA VAI PARAR, E SUAS FLORES VAO FLORESCER.

E A EXISTÊNCIA NAO ENCONTRADA…. ?

VAI FICAR TUDO BEM DEPOIS DE UMA NOITE BEM DORMIDA.

…COM BOLAS.

 
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Publicado por em setembro 20, 2015 em Uncategorized

 

Cade o meu?

Cade o meu?

Fazendo um resumo grosseiro da teoria de Lacan e Freud, a função do pai, além de tantas outras, é funcionar como um terceiro que corta o laço fundido que existe entre uma mãe e seu bebe. O pai mostra o mundo e coloca uma nova perspectiva em uma relação que não fosse o tempo e o pai, poderia ser fatal de tão consumidora.

 

Nesta mesma linha, uma querida analista me disse uma vez que mãe nada mais é do que uma mulher que ficou louca. E esta definição genial, foi dada por um de seus filhos. Ela tem 5 e quem cunhou esta frase foi o mais novo, que é o único filho homem.

 

E pra ilustrar estes dois primeiros parágrafos, a seguinte cena se deu em minha residência semana passada:

 

Me mudei a pouco para a Argentina e na minha cozinha a ventilação é uma merda. Minha cozinha, é um forno. A ponto de ter que colocar ventilador de pé, veja que delicia.

 

Meu filho de 3 ano que nunca havia visto um ventilador de pé (sério, quem usa esta merda!) se aproxima e eu já em pânico anuncio do outro lado da cozinha:

 

 

     –     “Não bota a mão ai porque você vai perder todos os dedos. Vai sangram um monte e você vai chorar muito.”

 

A baba da sequência a minha frase…

  • “Sabe o Capitão Gancho? Então… ele não perdeu a mão no jacaré. Perdeu em um ventilador assim.”

 

Meu marido já com olhão arregalado vira e fala.

 

  • é amor.. cuidado! Sabe quantas pessoas já perderam a cabeça por conta deste ventilador? Aqui nesta cozinha tem pelo menos duas!

 

 

FELIZ DIA DOS PAIS!

 

 
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Publicado por em agosto 11, 2014 em PATERNIDADE

 

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O parto com o Dr. Sátira & Mr. Idiota

Eu sempre fui uma pessoa muito tranquila no quesito medicina. Não gosto de procurar sarna pra me coçar, e quando fiquei gravida, estava sem um ginecologista oficial.

Pedi uma recomendação para outro médico que gosto muito. Meu pediatra.

(Sim, eu já sabia quem seria meu pediatra antes mesmo de saber quem seria meu ginecologista)

Fui no Dr. Sátira (vamos chama-lo assim) e ele me pareceu alguém calmo. Exatamente como eu queria.

Eu, como toda gravida de primeira viajem, estava cheia de duvidas e preocupações. Na época, além de trabalhar como produtora, eu tinha um restaurante, e bem naquele momento estávamos passando por reformas. Eu passava dias em pé, e carregando móveis pesados pra cima e pra baixo sem saber que estava gravida. Além disso, eu tinha ido para um Spa no começo da gravidez, e estava tendo uma dieta de 500 cal por dia!

Ele me acalmou e me disse que estava tudo bem comigo, além do mais, não somos (a raça humana) tão frágil assim. Se fossemos, não seriamos tantos bilhões e além do que, mulheres em lugares do mundo não tinham 1/3 do acompanhamento que eu teria dali pra frente, e ele me lembrou que mesmo assim, elas davam a luz para bebes fortes e saudáveis.

Gostei de ouvir aquilo. Era lógico e eu gosto de lógica.

Minha gravidez seguiu super tranquila. Todos os exames sempre 100%, nenhuma indisposição ou problema e meu baby estava crescendo forte.

Assim seguiria-se até o dia do nascimento do meu filho.

No dia 28/04/2011, tive consulta com o meu médico as 14. Eu já estava com 40 semanas e 4 dias.

No final da consulta ele me disse: – Acho que te vejo antes do fim de semana.

Era uma quinta feira!

Sai de lá, e assim como fiz até a consulta, voltei a trabalhar.

Por volta das 4 da tarde, fui resolver um assunto em casa, quando comecei a sentir cólicas muito fortes.

Liguei para o meu médico que estava em consulta. A secretaria me perguntou se era urgente. Disse que não. Que ele poderia sair da consulta e me ligar.

Ele me ligou de volta em 20 minutos.

Eu havia feito uma semana antes, uma lavagem pois não consegui mais ir ao banheiro no final da gravidez.

Quando as dores começaram, eu achei que eram desconforto pelo mesmo motivo, e pensei que teria que voltar ao hospital para outra lavagem.

Para a minha surpresa, meu médico me diz:

“Você já estava com 2 cm de dilatação quando veio aqui. Você esta em trabalho de parto. Pode ir ao hospital.”

Chamei meu marido que também estava em casa. Ele foi levar a mala e a cadeirinha para o carro, e levou no máximo 10 minutos.

As contrações começaram a se intensificar, e pareceu que ele demorou 3 horas.

La estávamos nós, saindo de Higienópolis para o Morumbi, em uma quinta feira chuvosa no horário de rush.

Eu já estava berrando no carro.

Muita dor.

Mas eu não estava assustada. Nem preocupada.

Na verdade eu estava com tanta dor, que eu j anão estava mais nada.

Gente…

CONTRAÇÃO DOOOOOOOOOI.

Dói demais. Quem diz que não, esta mentindo.

Cheguei no hospital e fui direto pra maternidade. Meu médico ainda não estava lá.

E me vinha aquela enorme vontade de ir ao toalete, mas nada saia!

E eu na porta do banheiro e as enfermeiras gritando:

Não faz força! Pode ser o neném! (Pra mim aquilo não fazia o menor sentido. Como eu não iria diferenciar meu filho de um nº2?!?!?!)

Voltei pra cama e meu médico ainda não tinha chegado.

A enfermeira me picou e me disse que era o antibiótico, pois o meu exame de estreptococo tinha dado positivo.

Só soube muito tempo depois, que na intravenosa estava também, ocitocina sintética. (Pra quem não sabe, isso é dado para acelerar o trabalho de parto. Eu não sabia, e ninguém me perguntou nada)

Neste momento, eu já estava vendo estrelas. E não no bom sentido.

Doía muito. Doía demais.

Eu mal conseguia respirar de tanta dor.

Chegou o anestesista.

Um japonês baixinho, mas eu olhei pra ele como se ele fosse a ultima bolacha do pacote. Ele iria me salvar. A dor ia parar e eu poderia “trabalhar” com mais tranquilidade.

Ledo engano.

Já tomou peridural? Então… é uma agulhinha que entra nos “espaços” da sua espinha dorsal. Uma agulhinha DE TRICOT.

Eu tinha que ficar sentada, imóvel, e principalmente SEM GRITAR pra não tirar a concentração do cara. (e segundo ele também, eu não deveria gritar pois a pior parte ainda estava por vir!!!!!!!)

Eu fiz o meu máximo esforço, e aguentei o máximo que pude parada e sem berros.

A ponto de ficar gelada e quase desmaiar de tanta dor.

Afinal eu queria muito a anestesia. Já não sabia mais quem eu era de tanta dor que eu sentia.

Mas o querido japonês, não encontrou um espaço. Ele me picou 7 (SETE) vezes nas costas com a tal da agulhinha, pra tentar achar um ponto.

Ele até parou com a agulha enfiada, pra atender o celular. O toque do celular dele? Trilha sonora de guerra nas estrelas!

Só é cómico porque meu filho é saudável e lindo. Isto poderia ser um detalhe trágico.

La pelas tantas, ouvi a assistente do meu médico falando pro anestesista: blablablabla – morfina antes – blablablabla”

Ao que eu berrei: MORFINA ANTES, PELOAMORDEDEUS.

Na 8 vez, o japonês acertou.

Foi ai que as estrelas boas começaram aparecer. Aaaaaa que delicia. Eu agora poderia relaxar.

Só quando a anestesia pegou (e pegou muito rápido) é que meu médico chegou.

Fez o exame de toque e me disse: Eu já estou vendo a cor do cabelinho dele.

Eu achei que ele estava brincando, até ele virar pra assistente e dizer: ela já esta com 10 cm. Não vai dar tempo de chegar na sala de parto.

Rolou uma movimentação rápida, e lá estava eu na sala de parto.

Subitamente, nosso querido japonês subiu em cima de mim de cócoras, com a bunda virada pra minha cara. Cheguei até a ver um cofrinho ali.

E empurrou a minha barriga com muita força pra baixo, enquanto me dizia: Faz muita força! Como se você estivesse fazendo um coco enorme!

Pra quem não sabe, isso chama manobra de Kristeller. Eu não sabia. Ninguém me avisou ou perguntou nada.

Fiz.

Uma vez.

E meu filho saiu.

Assim.

Rápido.

Eu nem senti ele sair.

Nem deu tempo de entender o que aconteceu.

Só depois do parto, é que me enterrei que nos 5 minutos que antecederam ao japa subir em cima de mim, foi feita uma episotomia. (corte entre o anus e a vagina)

Eu nem sabia que isto existia.

E novamente, ninguém me avisou ou perguntou nada.

Corta para 2013. Minha segunda gravidez.

Na minha cabeça, apesar de eu já ter um pouco mais de informação por conta de coisas que eu li aqui e ali, eu ainda tinha uma referência boa do Dr. Sátira.

Afinal, no geral, o parto tinha sido “tranquilo” do ponto de vista do meu filho ter nascido e ficado perfeito. (Opa… mas pera… isso não é o mínimo? Pois é…)

E eu não sou uma paciente chata. Eu penso que a partir do momento que eu escolhi o médico, tenho que confiar nele e ponto.

Não fiz perguntas, não reclamei. Agora, quando paro pra pensar, acho que não reclamei ou perguntei justamente porque queria ser gostada pelo meu médico. Pra ele ser bonzinho comigo. Idiota, eu sei. Mas foi irracional.

As únicas duas reivindicações que fiz foram:

1 – Quero um parto normal.

2 – Quero outro anestesista! (Nada de absurdo, vai?!)

E novamente, minha gravidez foi tranquila. E meu baby crescia firme e forte.

Dia 23/07/2013 senti contrações. Muito mais amenas do que da primeira vez. Mas desta vez, não quis esperar pra falar com ninguém, esperar uma chuva ou horário de rush. Chamei meu marido, e lá estávamos nós, as 14, indo para o Morumbi.

Sentia as dores, mas muito mais suportáveis. Até cheguei a pensar que poderia nem ser o parto. Mas melhor me prevenir desta vez.

Já estava com 39 semanas e 5 dias.

Liguei para o meu médico do carro. Nos encontraríamos já no hospital. Ele ainda até “brincou” ‘não vai me prender lá até de madrugada, hein!?’

La chegando, a enfermeira veio me picar. Meu médico ainda não havia chegado. Só a assistente dele.

Mas eu já estava mais informada!

–       “Opa… pera! Porque você esta me picando? O meu estreptococos deu negativo desta vez! Eu não preciso do antibiótico!”

–       Mas é praxe. Nós damos o antibiótico mesmo assim. Quer que eu chame a assistente?

–       Claro!

……..

–       Fala Natasha.

–       Porque eu fiz o exame se vocês iriam me dar o remédio mesmo assim?

–       A intravenosa não é só pro antibiótico. É para a ocitocina também.

–       Qual é a pressa? Cadê o Dr. Sátira?

–       Esta tomando um café. Se você não quiser eu não te dou e chamo ele (com olhar de ameaça)

–       Sim. QUERO.

Chegou o Dr. Sátira.

E minha gente… ele estava puuuuuuuuuuuto. Ofendidíssimo com os meus questionamentos. E brigou comigo. Super agressivo. E me disse: Você tem que confiar em mim! O que você quer afinal? Não estou te entendendo. Você pediu pra eu trocar o anestesista, eu troquei. Fiz tudo o que você me pediu (eu só pedi isso). Eu sei o que eu estou fazendo e blablabla.

Tomei um baita sabão.

E eu ali, deitada, com contrações, meu marido fora do quarto naquele instante, não me restou muito a fazer a não ser chorar. Chorar muito, porque me senti totalmente entregue e desamparada. Traída quase, porque sim, eu havia confiado naquele médico, e naquele momento, ele traiu totalmente aquela confiança.

Ele iria fazer o que ele quisesse, como ele quisesse, e ai de mim se eu questionasse alguma coisa. (E ele ainda mandou eu parar de chorar)

Ele deixou isso bem claro, quando depois da bronca, ele fez questão de romper a minha bolsa no toque. Doeu. Muito. Foi super violento aquilo. Aquela mão me penetrando com tanto ódio. E a minha bolsa foi estourada assim.

Como eu fiquei triste.

Mas eu estava mesmo focada.

Coloca logo a ocitocina então. Faz o que você quiser, mas ó, me entrega meu filho bem e saudável. Agora é tudo o que importa e que eu quero saber.

Desta vez, o anestesista achou o ponto bem rápido. Mas foi administrando a anestesia muito lentamente.

Então, diferente do meu primeiro filho que eu nem senti sair, desta vez, eu não morri com as contrações, mas quando o meu filho encaixou… minha amiga… lembra das estrelas? Esquece. Eu reinventei toda uma constelação.

Sabe o que eu fiz?

Xinguei. Xinguei o Dr. Sátira.

Porque se até então eu estava educada, com aquela dor, eu estava cagando.

Ele falava comigo e eu respondia: CALA A SUA BOCA! EU NÃO QUERO MAIS FALAR COM VOCÊ.

Foi um show de horror aquela sala de parto.

Novamente, manobras e episotomia.

Mas meu filho nasceu bem e saudável.

Porque eu nunca fiz nada?

Ele é um médico queridinho da alta classe. Não tenho folego pra comprar esta briga não.

E também me sinto parte responsável. Por não ter tido um faro melhor, ou não ter entendido melhor o que eu esperava daquele momento. O que todas nós esperamos. Que apesar da dor, seja magico.

Alguns médicos parecem, ou fazem questão, de cagar pra isso. Porque pra eles é só mais um parto e tem que ser pratico.

Eu vou me recolher com as feridas emocionais destes dois partos.

Porque afinal, meus dois filhos estão ai… lindos e saudáveis.

Opa…mas pera… isso não é o mínimo? Então… 😦Imagem

 
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Publicado por em março 13, 2014 em CINISMO, MATERNIDADE

 

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O complicado conceito de Compaixão

Tem mãe por ai, que prega de forma religiosa, que não devemos nos afastar de nossos filhos até eles terem 24 meses. Algumas, até se dão o trabalho, de embasarem seus dogmas em teorias “médicas e psicológicas”, para espalhar por ai, que se você não esta fazendo isso, basicamente não só você é uma mãe de merda, como você esta contribuindo para um mundo de bosta. Sim senhoras e senhores do júri. Vocês já entenderam tudo. São mães religiosas. E a religião em questão chama-se “maternidade perfeita”.

São as mães que cospem verdades, como se o que elas fizessem ou soubessem, fosse melhor do que a mãe que mora ao lado. Até ai, nada de novo ou diferente de nenhum outro radical religioso que conseguimos ouvir e desdenhar.

O problema, é quando estes radicais (estas mães neste caso) tem um certo status e numero de filhos, elas conseguem causar um certo mal estar em outras mães.

A bola da vez, tem circulado o seguinte vídeo de um pediatra com muuuuuitos livros publicados (RED FLAG):

Olha, tirando os casos de mães loucas, que ainda bem, não são a maioria (mães loucas = psicóticas, psicopatas, esquizofrênicas), eu não conheço nenhuma mãe que não queira ficar coladinha na sua cria. Portanto este post não trata deste mérito. Não trata do mérito se este senhor, ou estas mães religiosas que propagam este conceito, tem razão ou não. Obviamente, eu discordo profundamente, mas fica para um outro post.

Este aqui, é pra falar de um conceito pelo qual um personagem muito conhecido chegou a morrer crucificado: COMPAIXÃO!

Estas mães em questão, nunca tiveram que trabalhar um dia na vida delas para pagar as próprias contas. Elas nasceram privilegiadas. (Nenhum crime. Eu também nasci privilegiada)

O problema é que elas conseguem desconectar a realidade delas, com a realidade da esmagadora maioria das pessoas do mundo todo.

O que este senhor sugere, nem que fosse verdade absoluta, (NÃO É!), seria impossível.

Ele sugere que para ter um mundo melhor, basicamente a sociedade tem que estar voltada para a mãe e a criança.

Sem considerar o sacrifício imenso que isto envolve para o resto da sociedade, (financeira e emocionalmente) ele embute culpa em mães que precisam retornar ao trabalho. E como todo mundo sabe, religião não anda sem culpa. Nunca!

A mãe que tem que ajudar financeiramente e que se sente mal ao ver este vídeo, sofre. Muito. Porque ela, como a maioria esmagadora das mães que conheço, ama e quer o melhor para os filhos.

Mas ela, diferente de certas mães, não nasceu com privilégios ou não casou com homem pelo dinheiro que ele pode dar. Não. A mãe que se sente mal, tem que arregaçar as manguinhas e ir a luta. (Uma conta na minha opinião, que é justa. Ela tem que ser dividida entre todos, e não ser arcada 100% pelo governo e muito menos pelo setor privado)

Não estou questionando a licença maternidade. Claro que ela tem que existir. Mas dai a sugerir que a mãe fique 2 anos grudada na criança, é um absurdo.

Ao divulgar este vídeo / conceito, a mãe religiosa, esta sendo cruel com a maioria das mães.

E uma coisa eu sei. Se você mãe religiosa, não sabe o significado de compaixão, você pode ficar 18 anos grudada na sua cria. Você ainda assim é uma PESSOA ruim.

O que me tranquiliza, é saber que a mãe não é tudo na vida de uma criança, e que apesar de seu filho/a ter uma mãe que não é uma boa pessoa, não significa que ele não será uma boa pessoa também.

Um ser humano é formado por diversos fatores internos e externos. Portanto, APESAR de você, seus filhos ainda podem se tornar pessoas bacanas.

 
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Publicado por em dezembro 15, 2013 em CINISMO, MATERNIDADE, RELIGIÃO, Uncategorized

 

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Circum-SE-NÃO

311cTewN+YL._SL500_SS500_(PROMOÇÃO DO MÊS: QUEM SOUBER ME DIZER, DO QUE É FEITO ESTE CREME QUE A OPRAH ADORA LAMBUZAR O ROSTO, GANHA UM. NOT)

Provavelmente, este é o post mais complicado que eu vou escrever no meu blog.

Sim. mais do que o post sobre o aborto.

Porque naquela passagem da minha vida, houve tristeza mas não houveram questionamentos.

Já este assunto, me tortura a alma.

Eu sou judia. Meu marido, ateu.

Se você me perguntar o que é ser judia, eu não sei direito te responder. Sim, eu sei das regras e do “by the book”do que é ser judia.

Mas o que é ser judia para mim, são outros 500.

A minha relação com deus não passa pela religião .(Ex. na religião judaica não é permitido escrever a palavra deus, e sim apenas uma representação da mesma. Assim: D’us. Por razões que não pertencem a este post. Foi só para colocar algo curioso e posicionar vocês sobre a minha religiosidade).

As vezes eu acredito nele, as vezes não. As vezes brigamos e as vezes nos ignoramos.

Mas certamente, eu não sigo nenhuma regra quando penso em DEUS.

Nem judaica, nem cristã, nem budista…

Maaaaaas, eu não posso negar, o quanto a IDENTIDADE judaica, faz parte do meu ser.  De como isto me formou e me fez hoje quem eu sou.

As partes boas e as ruins. Mas definitivamente, quem eu sou, não seria se não judia fosse.

Sempre soube que se tivesse um menino, tranquilamente iria optar por fazer a circuncisão. É quem eu sou. É quem ele será. Mesmo que ele decida ser budista, judeu-budista será. Católico? Judeu-Católico será. E assim por diante.

Ate o dia, queridos leitores, QUE EU TIVE UM FILHO HOMEM. Minha convicção foi a merda rapidinho.

Porque? É agressivo.

Conheço muitas mães judias, que tem a parte religiosa e talvez até a cultural mais acerbada do que eu, e sofreram como condenadas no dia X. E conheço mães que disseram estar super tranquilas. Nada diferente do que qualquer outro dia.

Sem julgamentos. Mas EU, queria morrer. Foi horrível.

Lembro do dia em que minha avó morreu, e eu era pequena (11 anos). Vieram anunciar pra mim o acontecido. Me lembro de ouvir, registrar, mas não conseguir processar. E lembro como se fosse hoje, entender muito rapidamente, que se eu assimila-se aquela informação, eu iria explodir de dor. Portanto, minha reação imediata, foi falar de um outro tema, tentando desviar a conversa, com a pessoa que me contou. Claro que não durou NADA, e eu logo entendi que não veria a minha avó adorada nunca mais. E desabei, sozinha no quarto dela, agarrada com o travesseiro dela, tentando “ fungar” o cheiro pra ela não ir embora.

No dia da circuncisão (podem me julgar, mães desencanadas. Foda-se) o meu sentimento de desamparo e dor, era bem próximo.

MUITO NERVOSA. MUITO ANGUSTIADA. TREMENDO E QUASE ENTRANDO EM COLAPSO.

Sem entender porque merda eu estava lá, e com um marido extremamente PUTO comigo.

Geralmente, a circuncisão, ou Brit Milah como é chamado no judaísmo, é feito em casa, por um rabino especializado, em uma cerimonia com direito a brunch para convidados. Geralmente é uma festa, com presentões, muitos convidados, super chique. Um evento de extrema importância para toda uma família.

NEM FUDENDO NÉ MOISES????

Não entrava na minha cabeça nem por um segundo, festejar aquele treco!

Bora fazer porque sou judia? “tá bom”. Mas não me pede pra festejar me sentindo assim, porque esquizofrênica eu ainda não sou!

Este foi meu primeiro limite.

E já não foi um simples, porque a minha família não é religiosa, mas é tradicional. O Brit Milah do meu irmão, (que esta gravado, datado de 1983) é um puta almoço na casa da minha avó. Aquela que morreu.

Portanto, estavam todos esperando uma festa. Já logo disse que não.

O segundo limite, e este sim não tive NENHUMA DUVIDA OU QUESTIONAMENTO, foi: Se é pra fazer, (a regra é ser feito quando eles tem 8 dias. 8 FUCKING DIAS. MAL SAIU DE MIM!!!!), então que seja feito no maior centro cirúrgico que eu tiver acesso, com o melhor médico e anestesia local.

Isto sim não foi tema. Não foi crise. Não foi nada.

De outra forma, eu não teria feito e ponto final. Post terminado.

Mas ok. Fiz como eu queria.

Até porque, meu pediatra, em quem confio 200%, me recomendou desta forma! E ele é judeu. (Meu pediatra por competência, ok gente?! O fato dele ser judeu foi ZERO determinante na minha escolha médica)

É complicado dar cagada em casa, mas pode dar. PRA QUE CORRER O RISCO?!?!?! Ou seja, ordens médicas! (Que bom, ufa!)

Escolhi um médico de quem eu gostasse, recomendado pelo meu pediatra, urologista infantil especializadasso, e além disto, mohel*. (*treinado religiosamente e portanto no meu caso, poderia fazer a reza dentro do centro cirúrgico)

Sim caros leitores. Não consegui, apesar do esforço, me livrar desta parte. JUDIA REBELDE SEM CAUSA!

Existem muitos detalhes tragicômicos sobre este dia que eu posso contar, mas vai tirar o foco. Fica pra outro post.

Seguindo…

Me perguntei muito, e ainda me pergunto: Porque fiz? Faria de novo?

Putz!

Surpresa!

Estou gravida de outro menino! Vou fazer de novo? Claro que vou, né. Já fiz no primeiro! Não vou deixar os dois diferentes. Se for pra me odiar, que me odeiem os dois juntos pelo menos.

Mas esta sensação de que eu estou sendo empurrada de um penhasco, não sai da minha alma.

Sim, eu quase desisti nos dias anteriores, e mesmo no momento pré-operatório, quando estava dando de mamar no hospital. Quase desisti varias vezes. Mas nem eu, nem meu marido, desistimos. Apesar daquilo estar sendo a experiência mais torturante que ambos vivenciamos na vida, seguimos em frente. Não de mãos dadas como sempre fizemos. Mas brigando.

Especificamente, ele comigo. Mesmo assim, ele não impediu nada.

As racionalizações que eu fiz DEPOIS, foram: Se ele tivesse problema de fimose em qualquer outro momento mais tarde, ele teria que fazer com anestesia geral. O que incorre mais um risco desnecessário.

Da parte do meu marido, ele disse que quando gruda mais tarde, a mãe, e dependendo da idade, o próprio menino, tem que fazer compressas quentes e exercitar puxar a pelinha pra trás de pouquinho em pouquinho, para que ela desgrude com o tempo. E isto também não é agradável.

Mas ambos os argumentos, são fracos e desabam em si. Não foi de verdade, por nenhum destes motivos.

Nem por conta do meu incrível pediatra que me mostrou alguns estudos que dão indícios de que o risco de contrair HIV é menor em pessoas circuncidadas (argumento muito bom, diga-se de passagem).

Meu marido, (meu norte, sul, leste, oeste) tem a resposta que mais se aproxima do meu sentimento. Da pergunta – porque fazer algo que você não esta 100% segura?

Ele cresceu na França. Não é um pais mais, ou menos antissemita do que qualquer outro no mundo. E ele sempre cresceu com esta sensação, que ele não sabia explicar, de ter algo nele que fosse visto como “diferente”, mas ele nunca entendeu o que.

Que fosse eu uma briga entre o pai dele e um vizinho, aonde o pai dele foi chamado de ‘Sale Yupin’ (forma pejorativa de se referir a um judeu – algo equivalente ao “judeuzinho de merda”), ou na forma que foi tratado por um ou outro professor com uma clara preferência por não judeus, ou até mesmo pelo fato de sempre se identificar mais, naturalmente, com pessoas que fossem judias.

Desde muito pequeno ele me relata ter estas experiências e sensações.

Ele tem um sobrenome, que até pode, se assim for do interesse do dono do sobrenome, passar somente como mais um russo. Mas pra quem sabe um pouco menos, ele já nasceu sentenciado: JUDEU!

Minha sogra é católica. O meu sogro, não foi criado com religião nenhuma, mas o pai dele, era judeu.

Pela religião, meu marido, e meu sogro, não são considerados judeus. Judaísmo é passado somente pela mãe. (Uma forma “sutil” que mais uma religião encontra, para chamar toda mulher de puta!)

Mas segundo Hitler, meu marido estava fodido. E segundo os antissemitas declarados ou não, conscientes ou não, (e são muitos), idem.

Ele me contou, que o pai dele sempre teve muitos problemas em assumir os seus antepassados, em grande parte por um medo que naturalmente ocorreu nos países da Europa no pós guerra. Cada um, teve uma maneira diferente de lidar com este medo. Alguns, foram extremos e se tornaram religiosos. Outros, tentaram esconder suas origens. Sem juízo de valor nem para um lado, nem para o outro. Imagino que viver no pós guerra sendo judeu na Europa, não deve ter sido algo simples.

Além disso, o pai do meu marido, é circuncidado.

E por mais que ele tentasse não assumir o lado judaico, o sobrenome dele, e o fato de ser circuncidado, tornaram a tarefa, praticamente impossível. Principalmente no âmbito familiar.

Foi somente mais tarde na vida, por um levantamento feito pelo meu marido, que ele foi descobrir sobre suas origens. E então entendeu uma série de coisas sobre si mesmo, que antes não faziam sentido.

Ele se descobriu, JUDEU.

Porque a identidade judaica, tem isso. Ela é FORTE. E mesmo que não seja algo que esta em sua pele, como no caso dos negros, esta em sua alma.

Pode não circuncidar se não quiser. Pode criar com outra cultura, se for o caso. Mas a identidade judaica, de alguma maneira ancestral que eu não tenho a cultura psicológica ou sociológica para explicar, passa pelas frestas.

E ele disse o que eu tanto tentei racionalizar sobre a circuncisão.

A vida já é complicada o suficiente, sem o questionamento de quem somos nós no sentido literal, principalmente quando é algo tão marcante como o judaísmo.

Quem você é, seja lá o que for, tem que ficar claro. Nunca escondido, nunca pela metade. A significância que isto terá na vida de nosso filho, será dada por milhares de simbologias adquiridas ao longo de uma vida, que já sei, terei pouca influência. (minha mãe é muito mais religiosa do que eu, e todos os esforços dela, foram em vão. Ela tem uma filha reacionária)

Mas seja lá o que for que ele se torne na vida, ele sempre saberá, sem a menor sombra de duvida, de um aspecto muito importante.

Ele é judeu. Seja lá o que isto for pra ele.

Pra terminar, tenho que brigar com algumas pessoas, porque né… se não brigar não sou eu.

Um dos argumentos que ouvi muito das mães que optaram por fazer a circuncisão no filho delas, (por razões religiosas ou não ), é que é ‘mais higiênico’.

Really, querida?

Já pensou no que você esta dizendo?

Ou você acha que seu filho será um completo babaca que não terá a capacidade de se lavar, ou você é porca mesmo e não conseguiu passar noções de higiene! Dizer que vai fazer a circuncisão porque é mais higiênico é o argumento mais estúpido da terra! Estamos em 2013. Não somos mais beduínos no meio do deserto sem agua encanada! Get a grip!

Meu marido NÃO é circuncidado, e em 9 anos de casamento, posso atestar que NUNCA tive problemas com isto. Lindo, perfeito e cheiroso! E olha que ele é francês 😉 HA!

Da próxima vez que vier falar comigo, pensa em algo melhor do que: ‘A, não foi só pela religião. É mais higiênico’. Juro que a próxima vez que ouvir isto, dou um bat-tapa!

batman

 
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Publicado por em fevereiro 14, 2013 em CINISMO, FILOSOFANDO, RELIGIÃO

 

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TV or not TV? That is the question

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Esta semana, tive contato pela primeira vez com as TEORIAS de Dimitri Christakis e assisti o video da palestra que ele fez para o TED (que tem grande divulgação).

Como mãe amorosa, me preocupei, pois desde cedinho, meu bebê assiste Baby Einstein. Agora com 1ano e seis meses, AMA Toy Story e Cars. De sentar e ver o filme todo!

As perguntas ficaram na minha cabeça. “Será que estou lesando o meu filho pra sempre? Será mesmo que ele terá ADD, ficara com a imaginação limitada ou blábláblá? Será, será, será?

Conversando com meu marido, chegamos a conclusão que falta “algo” nesta teoria.

Dimitri esquece de citar outros países, e usa somente as crianças americanas como exemplo. E a sociedade americana é uma com suas particularidades.

Realmente, a quantidade de ADD nos Estados Unidos é muito grande, misturada com hiperatividade e tratada com medicamentos pesados desde muito cedo.

Crianças europeias tem acesso a televisão, Ipad, Iphone, vídeo games, mas o problema nestas sociedades não costuma ser tão grave como colocado pelo senhor Dimitri. Colocar a televisão como o grande demônio é simples. Porem, faltou na pesquisa dele, atrelar valores familiares, culturais e alimentação. Ou seja, é um CONJUNTO de coisas que faz com que ADD seja tão alto nos EUA e não tanto em outros lugares do mundo. Não a televisão isolada.

(Leiam! http://ajp.psychiatryonline.org/article.aspx?articleid=98517)

 

Este tipo de estudo, muda muito conforme o tempo. Até pouco tempo atrás, o vídeo game era um grande vilão. Hoje em dia, existem muitos estudos e reportagens que falam dos BENEFICIOS do vídeo game.

(LEIAM! http://www.medicalnewstoday.com/releases/174459.php)

Além disso, a fonte tem alguns problemas. Sim TED é muito bacana. Não TED não é verdade absoluta e nem incrível.

O Ingresso custa em média $6000 por cabeça.

Nick Hanauer, que tem uma teoria econômica bem interessante (rich people don’t create jobs) fez uma palestra no TED que aparentemente incomodou muita gente importante. Resultado: a palestra dele foi banida. (Liberaram um tempo depois por conta da controvérsia que causou)

Nassim Taleb acusou o TED de desonestidade intelectual, por tentar comparar cientistas a “low level entertainers”

Quando assisto a palestra, para mim fica claro a tentativa de sedução,  o show do cara engraçado (tentando ser).

Porem, o discurso é desconexo, infantil e com o “nós” imaginário usado como recurso de dialética. Dimitri É o “low level entertainer”. Ele usa como exemplo, a sequência de créditos de ‘Garotas Superpoderosas’, que não representa o miolo do conteúdo, e nem é feito para a idade que ele usa como base de seu estudo.

O estudo dele é baseado em ratos. (A Caixa de Skinner também!!!!)

Eu entendo as limitações de um “show” como o TED. Ele é praticamente obrigado por formato, a ser caricatural. O problema disso, é que ao deixar informações importantes de fora, inocentemente ou não, ele nos deixa a impressão de estar falando de DETERMINISMO. Um cientifico sério, não pode jamais afirmar que sempre A+B=C.

O empirismo, que é a base de qualquer estudioso respeitável, demonstrou incansavelmente ao longo da história, que A+B pode ser = a YWQNKJ.

Esta redução grosseira, tira da sociedade, neste caso americana, a responsabilidade individual de cada pai e mãe. Resultado: fica  um discurso FASCISTA!!!! E me preocupa MAIS UM discurso aleatório, que deixe as mães se sentindo culpadas.

Este é justamente o problema da sociedade em questão! Achar que tem alguma formula simples de fazer “a coisa” funcionar. Não tem. Não tem um livro que você pode comprar que vai te ensinar como ser uma boa mãe, ou como fazer um filho ser perfeito. A pesquisa dele basicamente diz que se você levar uma criança para museus, ela não terá problemas de atenção, mas se ela ver TV, sim.

Eu não estou aqui, defendendo que as crianças assistam mais televisão.

Mas sim o livre pensamento, a dialética, o método socrático.

Não sou de aceitar merda enlatada sem pelo menos ler o rotulo.

Meu filho ama ver TV. Ama também ir a um museu e a qualquer fazendinha. (Não, ele não fica entediado esperando a fazendinha ser igual a do baby Einstein como sugere Dimitri)

Para finalizar, tirando todo o blábláblá teórico, quero dar um conselho de mãe.

Assista televisão com o seu filho. Participe. Curta junto. E faça também outras coisas. A TV não vai transforma-lo em um monstro idiota, mas se os pais dele derem a TV como forma de contenção e substituto, é bem provável que sim.

TV tem que fazer parte, e não ser o todo. Simples assim.

Link para a palestra em questão

http://youtu.be/BoT7qH_uVNo

 
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Publicado por em novembro 17, 2012 em Uncategorized

 

AJUDA

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Filhote,

Quando você fez 1 ano, você começou a andar. Andou duas semanas, e de repente, parou.

Ficou uns 3 meses sem andar sozinho novamente. Só queria andar de mão dada.

Liguei pro pediatra e a primeira coisa que ele me perguntou foi: – Ele caiu?

– Não que eu tenha visto.

Mandou eu te levar em um ortopedista ban ban ban pra acompanhar, apesar de ele não achar fora do comum. Liguei. Esperei 15 dias pra conseguir horário. O consultorio dele é do outro lado da cidade. Te levei la. Esperamos uma hora para ser atendidos. Fomos. Tiramos radiografia do quadril. Paguei uma fabula.

– Seu filho é perfeito. Pode estimular ele mais!

Voltamos pra casa, e pisando la, você soltou a minha mão e começou a andar.

Quando eu conto esta anedota para terceiros, eu costumo dizer que eu estou pondo na conta. Um dia te mostro a nota. 😉

Mas a verdade verdadeira, é que eu estou te escrevendo, pra te pedir uma ajuda.

Não pude ignorar, que talvez você começou a andar e parou, porque EU estava te protegendo. EU estava com medo que você caísse e batesse a cabeça.

Cair e bater a cabeça, não só faz parte, como é a UNICA forma de realmente aprender. Eu só espero estar te dando todas as armas para que você caia, e saiba bater a cabeça apenas o suficiente para levantar, passar uma pomada e começar tudo novamente.

Bater a cabeça pode ser fatal. E eu preciso que você me ajude a lembrar, que o meu maior desafio, não é evitar a qualquer custo que você bata a cabeça, pois assim eu não permito você andar. O meu desafio, é te ensinar até que ponto você deve arriscar bater a cabeça, para que não seja irreversível, e o meu papel, é sempre estar la pra quando você precisar (O papel você não precisa me lembrar. Este eu faço com 200% de prazer)

Portanto quando eu estiver te protegendo demais… me da um toque? Não quero só que você ande. Quero que você voe!

Te amo filho.

 
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Publicado por em agosto 30, 2012 em MATERNIDADE

 

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